Divulgação: Mensagens oficiais do Dia Mundial da Dança, UNESCO

Desde a sua criação em 1982, o Conselho Internacional da Dança e o Instituto Internacional do Teatro (ITI) selecionam uma personalidade da dança para escrever uma mensagem para o Dia Internacional da Dança, todos os anos.

A mensagem de 2019 é assinada pela bailarina, coreógrafa e professora egípcia Karima Mansour:

«No começo houve movimento … e desde o início dos tempos, a dança tem sido um forte meio de expressão e celebração. Encontrada em murais de faraós egípcios, inspirou criadores até aos dias de hoje. A dança foi usada para evocar os diversos deuses e deusas da dança com todos os significados e conceitos que representam, como equilíbrio, ao qual a justiça está conectada, a musicalidade, o som, a consciência individual e cósmica, entre outros.

Li uma vez que: “No tempo dos faraós, a dança fora pensada para elevar o espírito do bailarino e dos espectadores ou participantes. Música e dança evocavam os mais altos impulsos da condição humana ao mesmo tempo que consolavam pessoas nas suas decepções e perdas na vida”.

O movimento é uma linguagem falada por todos nós. O movimento é uma linguagem universal que pertence a todos, se abrirmos os nossos sentidos e os escutarmos. Ouvir é o que é necessário, escutar sem interferência, ouvir sem julgamento, ouvir em silêncio e permitir que o movimento atravesse o corpo no momento, porque tudo o que está dentro de nós e à nossa volta está em movimento, movimento constante. É quando o corpo não mente, porque está a ouvir a sua verdade e a manifestá-la.

Ao ouvir as batidas do nossos coração, podemos dançar a dança da vida, que requer movimento, agilidade e adaptabilidade, uma coreografia em constante mudança.

Numa altura em que conexão & conectividade adquiriram novos significados, encontramos o mais baixo ponto da nossa capacidade de nos relacionarmos… A dança continua a ser a mais procurada acção para nos ajudar a restabelecer essa conexão perdida. A dança devolve-nos às nossas raízes, no sentido cultural, mas também no sentido mais imediato – sensorial, pessoal, individual, até ao centro e ao coração, ao mesmo tempo que ainda nos permite sermos animais sociais. É quando nos conectamos connosco próprios, quando ouvimos o nosso ritmo interno, que somos realmente capazes de estabelecer uma conexão com os outros e comunicar.

A dança é onde a cultura é partilhada e as fronteiras caem no espaço da inclusão e união, através de a linguagem não falada da universalidade.

O corpo é um instrumento de expressão, um vaso para a nossa voz, os nossos pensamentos, os nossos sentidos, a nossa história, o nosso ser e existência, os nossos desejos de expressão e conexão que se manifestam através do movimento. A dança é um espaço que nos permite a cada um ligar-se à sua verdade e, para isso, é necessário um espaço tranquilo. A dança permite-nos conectar e sentir completos e é apenas com nesse sentimento que encontramos paz e com a paz vem o silêncio e é através do silêncio que podemos ouvir, escutar e falar e através da quietude que aprendemos a dançar nossas verdades e é aí que a dança se torna pertinente.

Movimento e dança são onde podemos nos mover da vertical para a horizontal, de cima para baixo e vice-versa. Movimento e dança são onde o caos pode ser criado e reorganizado, ou não. Onde somos capazes de criar as nossas próprias realidades e momentos fugazes e efémeros, um após o outro. Momentos que podem nos tocar e permanecer nas nossas memórias, para nos inspirar e mudar-nos a nós e a outros na vida. Esse é o poder da verdadeira expressão e, portanto, o poder da dança.

A dança é uma cura. A dança é onde a humanidade se pode encontrar.

Convido as pessoas a ir além das fronteiras, além das crises de identidade, além do nacionalismo e de formatações. Que nos libertemos dessas limitações e encontremos o movimento e o momento nessa linguagem universal. Convido todos a dançarem ao ritmo do seu coração, da sua verdade interior, porque é a partir desses movimentos internos, que levam a revoluções internas, que a verdadeira mudança acontece.»

Karima Mansour

Bailarina, Coreógrafa e Professora

Tradução por Les Corps a partir da mensagem oficial.

Mensagem oficial do Presidente do Conselho Internacional da Dança, UNESCO,Alkis Raftis:

«Quando dançam, os seres humanos por vezes transportam-se para o reino do sobrenatural. A música e o movimento combinados fundem o corpo e a mente elevando-os a um estado superior. Este êxtase liberta-se, estende-se profundamente na dimensão interior da pessoa, unindo-a ao universo.

Por vezes, os coreógrafos no ato de criação conseguem produzir no espectador uma conexão com o sagrado, o esotérico, o desconhecido. Além da recriação e da arte, a dança torna-se um instrumento de consciência elevada, uma busca pelo significado último. A coreografia transporta-nos para além do observável, do experimentável e do conhecido.

Deliades – ninfas dançantes da ilha de Delos, na Grécia antiga. Devadasis – assistentes do templo preservando as tradições clássicas Bharatanatyam e Odissi na Índia. Dervixes Sufi – seguidores do poeta persa Rumi, com a sua dança rodopiante. Sacerdotes astecas “cantando com os pés” no México pré-hispânico. A espiritualidade sempre esteve presente na dança.

Actualmente, testemunhamos a rápida proliferação da dança litúrgica, especialmente nas Américas. A dança regressa como prática de culto, forma física de oração e expressão de devoção a Deus. Estão a ser formados milhares de clérigos-coreógrafos que passam a aplicar essa prática nas suas próprias congregações. Em alguns lugares, os centros dedicados a desse tipo de dança superam as escolas de dança convencionais.

O tema que propomos para o Dia Mundial da Dança e para eventos em 2019 é Dança e a Espiritualidade.»

Alkis Raftis

Presidente do Conselho Internacional de Dança

CID, UNESCO, Paris

O Dia Mundial da Dança começou a ser comemorado em 1982, no dia 29 de Abril, com o fim de chamar a atenção para a arte da Dança. O Conselho Internacional da Dança (CID) é a organização oficial, para todas as formas de dança em todos os países do Mundo.

O CID é reconhecido pela UNESCO e governos nacionais e locais.

Entre os seus membros estão proeminentes federações, associações, escolas, companhias e indivíduos de mais de 160 países.

O CID foi fundado em 1973 na sede da UNESCO, em Paris, onde ainda se encontra.

A UNESCO é a Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas.

Fonte: CID-UNESCO

Fotografia de destaque: Tim Gouw/ Pexels

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